quarta-feira, 19 de março de 2014

Rios Urbanos



Neste primeiro texto do blog, gostaria de trazer para discussão as condições dos corpos hídricos que percorrem os municípios de nosso país. Esses sofreram grandes transformações nos últimos anos devido à urbanização sem que fossem considerados como elementos fundamentais para a qualidade de vida da população. Essas transformações tiveram um viés de degradação ambiental acentuado. Com facilidade pode-se percorrer metrópoles brasileiras como São Paulo ou Rio de Janeiro e perceber o estado dos rios e lagoas que ali se encontram, com grande presença de lixo e esgoto sanitário. Muitos trechos não são sequer vistos, pois estão sob as vias públicas.

Além dos rios urbanos serem locais frequentemente poluídos, sejam pelos esgotos, pelos resíduos sólidos ou até mesmo pelas águas pluviais que escoam pela superfície da cidade, são também desconsiderados os efeitos da impermeabilização do solo de suas margens e da retirada da mata ciliar. Além disso, a falta de saneamento básico, que faz parte da rotina dos municípios brasileiros, transforma os rios em galerias de esgoto.

Mesmo quando há saneamento, constata-se a presença de ligações clandestinas de esgoto nas galerias de águas pluviais assim como diretamente nos rios. Essa é uma consequência da mal prática do chamado Sistema Separador Absoluto, que, teoricamente, separa por completo a coleta e a destinação de águas pluviais e de esgoto sanitário.

Observa-se que também são desconsiderados os efeitos dos rios e sua vegetação na sustentabilidade do ambiente urbano e na qualidade de vida dos habitantes da cidade. Os rios são promotores da qualidade de vida urbana. Dependendo do seu estado eles contribuem para a melhora ou piora do bem estar social, assim como da saúde pública. Eles podem ser fontes de contemplação e lazer ou mal cheiro, enchentes e doenças.

Os cursos d'água em áreas urbanas devem ser preservados, pois são fundamentais na melhoria da qualidade de vida da população. Em áreas de urbanização consolidada, ficam-se limitadas as intervenções nesses corpos hídricos. No entanto, em áreas de baixa urbanização, deve-se considerar os corpos hídricos como elementos fundamentais dentro do planejamento urbano, pois desempenha diversas funções importantes, como por exemplo a macrodrenagem da região, regulação do microclima, cria espaços de contemplação e lazer, etc.

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