terça-feira, 30 de dezembro de 2014

MP-RJ recorrerá para embargar obra no campo de golfe em área de reserva


"O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) vai recorrer na Justiça contra a decisão que não embargou as obras do campo de golfe em área de reserva na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Promotores do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema) alegam que as intervenções, partes do programa de obras para os Jogos Olímpicos de 2016, são irregulares e danificam o Parque do Marapendi, que é área de preservação ambiental.

O Tribunal de Justiça havia negado, em novembro, o pedido do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema) para derrubar a liminar e anular a licença ambiental da área. Na sentença, o juiz ressaltou que “nenhum fato novo justifica a ampliação da medida deferida e a paralisação da implantação do campo de golfe para as Olimpíadas”. A Justiça determinou apenas que a área da prática do esporte dentro do terreno ficasse a pelo menos 200 metros do Parque do Marapendi.

Para o projeto ser aprovado, um pedaço do parque foi cedido pela prefeitura ao dono do lote através da Lei Complementar Municipal nº 125/2013, que diminuiu a área de proteção ambiental do local. No entanto, o MP-RJ diz que há provas técnicas e depoimentos que indicam a existência de vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na lei. Segundo a promotoria, a redução da área de proteção ambiental do Parque Marapendi foi feita sem a realização de estudos técnicos prévios, o que pode danificar o espaço preservado.O campo de golfe é construído em um terreno particular, vizinho ao Parque Marapendi. Quando o projeto foi anunciado, o prefeito Eduardo Paes afirmou que as obras não custariam nada aos cofres públicos. O dono do terreno construiria o campo de golfe em parceria com construtoras e cederia o local ao poder público para os Jogos Olímpicos.


Ocupação no campo de golfe

Em meio à batalha judicial, um grupo de manifestantes acampa desde sexta (5) em frente ao canteiro de obras, na Avenida das Américas. Eles alegam que as obras acontecem em área de preservação ambiental e que a prefeitura não é transparente sobre o assunto. Uma das reclamações é a de que Eduardo Paes não teria disponibilizado documentos que justificassem o torneio de golfe não acontecer no Gávea Golf Club ou no Itanhangá Golf Club – únicos dois campo do esporte no Rio – e a construção de uma nova área de competição.


Um dos motivos é a cessão de parte do Parque Marapendi, já que o valor do metro quadrado na Barra da Tijuca é caro. Outra reclamação é de que prédios serão construídos no local, o que valoriza o terreno. O grupo ainda acusa a prefeitura de assumir o pagamento da taxa de remoção de vegetação, que deveria ser paga pelo dono do terreno.O grupo também alega que a contrapartida do dono do terreno à prefeitura não é suficiente para “quitar” o custo de R$ 60 milhões da construção. Eles acusam o prefeito de não incluir na conta lucros que o empresário teria com o espaço.

“O dono do terreno teve um benefício econômico sem que houvesse um estudo deste benefício. Este benefício tem que entrar na conta. Se eu estou dando uma contrapartida construindo um campo de R$ 60 milhões eu tenho que colocar R$ 60 milhões de um lado e entender o que a prefeitura está dando do outro”, disse um ativista, que é advogado e preferiu não se identificar.

Em nota, a Procuradoria Geral do Município afirmou que tem dado todas as explicações ao Poder Judiciário e aguarda sua decisão. Ainda de acordo com o órgão, a construção do campo de golfe para as olimpíadas de 2016 está dentro da lei e foi aprovada pela Câmara de Vereadores. "Ela significa, na verdade, o fim de um dano ambiental que se perpetuava há mais de 20 anos, em uma área abandonada e degradada onde funcionou uma cimenteira. Há uma enorme contrapartida ambiental e um legado para a Cidade do Rio de Janeiro – além da criação de um campo público, haverá a recuperação integral da área com o aumento da vegetação nativa"."

Fonte: G1

terça-feira, 4 de novembro de 2014

ECOPOLAT 2014​ Seminário de Ecologia Política na América Latina: Desafios teóricos e práticos

Entre os dias 12, 13 e 14 de novembro de 2014 será realizado o Seminário de Ecologia Política na América Latina, no Fórum de Ciência e Cultura UFRJ - Colégio Brasileiro de Altos Estudos:
Avenida Rui Barbosa, 762, Flamengo - Rio de Janeiro.

As inscrições são gratuitas. Basta enviar um e-mail para ecopolat2014@gmail.com.
A programação e mais informações encontram-se em:

Cariocas poderão gerar energia elétrica a partir de pedaladas em academias públicas

Academia da terceira idade na praça Afonso Pena - Pedro Kirilos / O Globo

Os cariocas poderão participar mais ativamente do que nunca da geração da energia elétrica que consomem. A Agência Nacional de Energia Elétirca (Aneel) aprovou nesta terça-feira um projeto da empresa Adabliu Eventos, em parceria com a Prefeitura do Rio e com a Light, para geração de energia a partir dos passos, pedaladas e demais esforços dos usuários de academias públicas instaladas na cidade.

“O projeto consiste na geração de energia a partir do movimento gerado por pessoas durante a prática de esportes, utilizando-se da energia cinética advinda da rotação de bicicletas ergométricas, esteiras e aparelhos de spinning, por exemplo. Trata-se, portanto, do reaproveitamento de uma energia que seria desperdiçada caso não fossem utilizados sistemas de conversão eletromecânica do trabalho realizado durante a prática desportiva e injeção da eletricidade na rede de distribuição de energia elétrica”, escreveu em seu relatório sobre o tema o diretor Reive Barros dos Santos.

Em seu pedido de autorização para compartilhar a energia gerada nas academias com a rede de distribuição da Light, os autores do projeto destacaram a “sustentabilidade, bem-estar à população e conscientização do uso eficiente da energia elétrica”. Placares eletrônicos instalados nas academias permitirão acompanhar qual a quantidade de energia gerada pela malhação de cada um. As unidades deverão gerar entre 100 kilowatts e 1 Megawatt.

A experiência, que já existe em outros países – a mais famosa é a “Green Heart”, na Inglaterra — é a primeira no Brasil de geração de energia a partir de “força matriz humana”, o que levantou uma discussão pouco comuim e bem-humorada na reunião da diretoria da Aneel na segunda-feira. O diretor Tiago Correa, em tom de piada, diz que trata-se de geração a partir de “biomassa”, uma força motriz já prevista na regulação de fontes sustentáveis e incentivadas.

Segundo a Aneel, projetos similares instalados em outros países mostram que o uso desse tipo de aparelhos de ginástica por apenas 40 pessoas durante uma hora por dia pode produzir o equivalente a 60 kWh mensais, o suficiente para manter acesas 20 lâmpadas durante 10 horas por dia durante todos os dias do mês.

— O projeto tem o caráter pedagógico de deixar o consumidor mais ativo com relação à geração de energia elétrica — disse Hugo Lamin, da Superintendência de Regulação Econômica da Aneel.

Segundo pessoas a par do projeto, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer do Rio poderá compensar a geração de energia a partir das academias públicas no consumo de outras unidades de consumo sob seu controle, como creches e postos de saúde. Dessa forma, seria reduzida a conta de luz da Prefeitura.

— O risco é esses atletas quererem ser remunerados (pela energia gerada)! — brincou Barros, após votar pela aceitação do pedido.

A Prefeitura do Rio é parceira do projeto por meio do Instituto Eixo-Rio, que segundo o coordenador especial Renato Rangel, tem sempre no radar projetos focados em inovação que tragam benefício para a população. O próximo passo para levar o projeto adiante, diz Rangel, será a tomada de decisões pela prefeitura, tais como a definição da fonte de recursos: se será bancada pelo governo ou haverá a busca por patrocinadores.

A ideia da prefeitura, segundo Rangel, é ter o projeto piloto no Parque de Madureira, que detém infraestrutura sustentável em outros queistos, tais como iluminação de LED e captação de água da chuva.

- O parque é o de maior sucesso na cidade - destaca Rangel.

O papel da Light no projeto Spinning Verde, segundo a engenheira Priscila Ferreira, será avaliar as conexões e equipamentos, garantindo a segurança da rede, além de fazer a avaliação e liberação dos projetos e dar apoio operacional e técnico.

No Brasil, o sistema de compensação está em vigor para geradores a partir de fontes solar, eólica, hídrica e biomassa desde abril de 2012. Segundo a Aneel, mais de 250 consumidores já instalaram painéis solares e pequenos geradores eólicos em suas residências e comércios e estão se beneficiando dos créditos gerados. A rede da Light conta com 16 consumidores ligados ao sistema de compensação atual.


Fonte: O GLOBO


sábado, 20 de setembro de 2014

CAMINHADA MUNDIAL PELO CLIMA

Caminhada pelo Clima deve reunir até 50 mil pessoas em Ipanema, no Rio
Manifestação exige que governos adotem fontes de energia não poluentes.
Evento vai acontecer ao mesmo que outros em 7 metrópoles no mundo.




A Caminha pelo Clima deve reunir entre 20 mil e 50 mil pessoas em Ipanema, na Zona Sul do Rio, no domingo (21). O evento vai acontecer simultaneamente em outras sete grandes metrópoles do mundo – Nova York, Berlim, Paris, Londres, Bogotá, Melbourne e Vancouver. O objetivo é pressionar autoridades dos estados a adotarem fontes de energia não poluentes até 2050.
A mobilização acontecerá dois dias antes do encontro da Cúpula de Líderes pelo Clima, convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que acontecerá em Nova York, na terça-feira (23). A presidente Dilma Rousseff foi convidada. A reunião vai exibir imagens das manifestações pelo clima no mundo durante a reunião.

O evento no Rio está previsto para começar às 10h30 em frente ao Posto 8, em Ipanema, e terminar às 14h30.

Fonte: G1 Rio

Máquina troca garrafas plásticas por bilhetes de metrô e créditos no celular

Fonte: Ciclovivo



Na China existe uma forma alternativa de pagar os bilhetes do metrô ou colocar uma carga extra de crédito no celular. Ao invés de ir até a bilheteria e pagar pelo serviço, a pessoa pode apenas se dirigir a uma máquina de reciclagem, depositar umas garrafas e receber a recompensa.

O modelo aplicado na capital chinesa segue os mesmos padrões de outros dois exemplos já mostrados no CicloVivo. Na Turquia, as garrafas são trocadas por ração para alimentar cães abandonados e na Austrália é possível depositar o material reciclável em troca de cupons que valem comida, passeios, entre outras coisas.

De acordo com o site Recycling Today, Pequim já conta com 34 máquinas de troca espalhadas pela cidade. Quando o projeto teve início, em 2012, eram apenas dez aparelhos disponíveis, mas conforme a tecnologia foi se desenvolvendo e os resultados foram aparecendo, o investimento aumentou.

De acordo com as autoridades locais, somente através deste projeto a cidade chega a reciclar 15 mil toneladas de garrafas plásticas ao ano. E, com o aumento na capacidade do sistema, a expectativa é de que os índices da reciclagem sejam ainda melhores.

As máquinas estão instaladas em pontos estratégicos, nas proximidades das estações de metrô e são automatizadas, capazes de reconhecer o tipo de garrafa que está sendo depositado e calcular a recompensa equivalente.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Green Nation Fest

Essa semana está ocorrendo no Rio de Janeiro o Green Nation Fest. O evento reúne mostras de cinema, seminários, oficinas, espaços interativos,  mostra competitiva de animação, documentário, ficção, roteiro, fotografia, cartoon, blog, Twitter, Facebook, filme institucional e filme publicitário. Tudo relacionado à temática da Sustentabilidade.
Esse blog participa da competição. Para votar nele acesse: Vote nesta obra
Um evento que promove entretenimento e reflexão. Vale a pena conferir!
Mais informações em: fest.greennation.com.br

Data: 6 a 14 de setembro
Local: Museu da República – Rio de Janeiro
Ingresso: Entrada gratuita
Horário: 9h às 17h

Congresso Internacional de Resíduos Sólidos


Esta semana, de 8 a 11 de setembro de 2014, está ocorrendo em São Paulo o Congresso Internacional de Resíduos Sólidos promovido pela IWSA - International Solid Waste Association (http://www.iswa.org/) em parceria com a Abrelpe - Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (http://www.abrelpe.org.br/).

Mais informações em:
ISWA 2014

APP Urbana 2014


Entre os dias 10 e 13 de setembro de 2014 ocorrerá o III Seminário Nacional sobre o Tratamento de Áreas de Preservação Permanente em Meio Urbano e Restrições Ambientais ao Parcelamento do Solos. O evento será em Belém do Pará, no Centro de Eventos Benedito Nunes na Universidade Federal do Pará. 

Mais informações em APP Urbana 2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Programa de Reaproveitamento de Óleo Vegetal - PROVE

O óleo de cozinha, quando não pode mais ser aproveitado, se for jogado na rede de esgoto, além de poluir os rios, baías e oceano - interferindo no equilíbrio desses ecossistemas - também causa o entupimento de canos, aumentando os custos de manutenção da rede coletora.

Criado pela Secretaria do Ambiente do RJ em parceria com a Usina de Manguinhos, a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (vinculada a COPPE\UFRJ), a Federação das Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis (FEBRACOM), o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e RICAMARE (Rede Independente de Catadores de Materiais Recicláveis do Estado Rio de Janeiro), o programa PROVE tem por objetivo buscar uma solução que vise minimizar a contaminação da Baía de Guanabara por óleo comestível residual, contemplando os rios e beneficiando as Estações de Tratamento de Esgotos, contribuindo para a melhoria na qualidade ambiental do Estado do Rio de Janeiro.

Assim, o PROVE transforma os óleos residuais gerados no Estado (hospitais, quartéis, residências, restaurantes, etc.) em matéria-prima estratégica para a produção pioneira de biodiesel e contribuindo para a geração de renda e empregos (inclusão social) e para o Programa Brasileiro de Biodiesel.

O recolhimento do óleo no estabelecimento ou residência é feito pelo próprio programa, desde que o interessado siga algumas regras simples sobre o armazenamento e entre em contato com a central de atendimento ou a cooperativa cadastrada mais próxima. Mais informações podem ser obtidas no site:

http://www.cooperativismopopular.ufrj.br/prove/


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Avanço importante do Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara


Hoje tive a oportunidade de assistir à apresentação na UFRJ do SIGWEB no âmbito do Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara feita por equipe da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA). Esta é uma plataforma online de Geoprocessamento que permite a consulta de dados georreferenciados relativos aos municípios em questão dos quatro itens do Saneamento definidos na Lei 11.445 de 2007 - abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e resíduos sólidos. Essa plataforma serve também como ferramenta para coleta de informações de forma colaborativa com os municípios para a atualização das informações sobre o saneamento.
Um exemplo de consulta seria a visualização da rede de esgotamento sanitário do município do Rio de Janeiro. Tal informação até poucos meses atrás não era disponível online, era fragmentada e o acesso era difícil. 
Posso dizer que o que vi hoje significou para mim uma revolução sobre o acesso à informação dos serviços de saneamento no Estado do Rio de Janeiro. Cabe lembrar que a plataforma está sendo carregada de informações e com o tempo irá ficando mais completa.
A SEA está de parabéns por esse trabalho. Esperamos que continue, pois essas informações precisam de atualização constante.

O endereço para acesso é: psam.maps.arcgis.com
Para chegar à informação do exemplo citado a cima, siga o seguinte caminho no site do link fornecido:
GRUPOS > RIO DE JANEIRO > Mapas
Em seguida clique em "Intervenções de Infraestrutra na Bacia Drenante Baía de Guanabara no Municipio do Rio de Janeiro-Final"
Depois vá em ABRIR > abrir no visualizador de mapa ArcGis.com
Pronto. Agora se você quiser ver somente a rede de esgoto, ao lado do ícone "i" tem um quadradinho que passando o mouse por cima aparece a frase "Mostrar conteúdo do mapa." Clique ali e vá desligando todas as layers deixando ligada somente a de rede de esgoto. Agora divirta-se! Veja se na sua rua tem rede!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Redes de Serviços Urbanos no Rio de Janeiro



A infraestrutura contemporânea das cidades, em todo o mundo, abrange basicamente as redes de abastecimento de água, coleta de esgoto, energia elétrica, fornecimento de gás, telefonia, rede viária, televisão a cabo e internet. Dentre essas redes às quais viabiliza a vida urbana, a que podemos considerar como a base de todas as outras é a rede de energia elétrica. Através dela é que todas as outras se tornam possíveis. Isto porque para que uma estação de tratamento de água funcione é preciso energia; para que a rede de coleta de esgoto possa cumprir seu papel é necessário se tenha elevatórias em determinados pontos ao longo da rede o que necessita de energia; etc.

Essa rede também costuma ser a primeira a chegar a um determinado local onde começa um aglomerado urbano espontâneo, ou seja, sem planejamento. Em locais planejados, presume-se que as redes cheguem juntas e, de preferência, antes dos habitantes desse local. 

Dentre as redes de infraestrutura urbana, a que pode ser considerada a mais vital é a de abastecimento de água. Isto porque, diferentemente do meio rural, na zona urbana é improvável que haja possibilidade de captação de água superficial, ou até mesmo de subterrânea, com a qualidade requerida para o consumo e higiene humana. Geralmente a água dos mananciais urbanos é contaminada pelo esgoto da própria população, pois essa rede muitas vezes é a última a chegar. 

Mesmo em locais onde haja rede eficiente de coleta de esgoto e que o mesmo é conduzido para tratamento adequado, as águas dos rios urbanos muitas vezes podem estar contaminadas pela água da chuva que precipitou na bacia hidrográfica urbanizada e carreou contaminantes para dentro do rio.

Conforme a tecnologia vai avançando novas redes de infraestrutura começam a surgir, como por exemplo, a rede de telefonia que permite a comunicação praticamente instantânea não só dos habitantes que residem em uma mesma cidade como entre os habitantes de qualquer cidade do mundo.

A televisão a cabo e a internet podem ser consideradas as mais recentes das redes de infraestrutura urbana. Essas redes, no Brasil, começaram a chegar na década de 1990 e hoje podemos considerar que abrange significativamente as cidades brasileiras. Conforme essas redes chegam aos locais a vida sem elas parece inviável, pois passamos a depender delas para cumprir com os nossos compromissos, principalmente a internet.

A rede de internet permite que compras sejam feitas, informações cheguem rapidamente ao destino, etc. Ela está de tal forma incorporada no dia-a-dia das pessoas que muitas transações só possam ser efetuadas através dessa rede, como por exemplo, a inscrição em muitos concursos públicos.

O grau de eficácia de cada rede pode ser analisada através de determinadas propriedades, são elas:

- Conexidade: coloca em relação os diferentes elementos do território; 
- Ubiquidade: relaciona todos os elementos independentemente da organização política territorial;
Instantaneidade: a rede define simultaneamente tempo e espaço, ela deve ser imediata, apresentando o fluxo material permanente;
- Homogeneidade: essa propriedade garante que tudo aquilo que está no interior da rede não seja interrompido em seu fluxo;
- Conectividade: alternativa para caso haja interrupção na rede;
- Nodalidade: articulação das redes, nós;
- Adaptabilidade: as redes precisam atender os milhões de indivíduos, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Portanto a rede precisa regular-se no tempo a diferentes escalas de demanda e no espaço por extensão e/ou diversificação.

Aqui o grau de eficácia será apontado como sendo baixo, médio ou alto para cada rede analisada, levando-se em conta as propriedades citadas a cima de forma conjunta.

O grau de eficácia parece estar vinculado ao agente que presta o serviço. Quando é o serviço público que opera diretamente a rede de infraestrutura, podemos perceber a baixa eficácia em relação às redes que a iniciativa privada opera. Isto porque o serviço público atua melhor quando ele é regulador/fiscalizador de uma concessão do que quando ele opera e fiscaliza a si mesmo.

O Agente Público pode ser o operador direto, pode privatizar o serviço ou pode fazer uma concessão para a operação de uma determinada rede. Em uma primeira análise, parece que os sistemas de concessão têm resultados melhores do que aqueles em que há a privatização. Pois os serviços das redes de infraestrutura urbana são caracterizados por serem um tipo de monopólio natural, tendo em vista que seria inviável se nós pudéssemos escolher de qual empresa, por exemplo, gostaríamos de ser abastecidos por água.

Na cidade do Rio de Janeiro, nas áreas urbanas formais, há diferença no grau de eficácia dessas redes de acordo com o poder aquisitivo dos moradores de cada região. Podemos perceber a diferença de eficácia que há entre as zonas sul, norte e oeste da cidade. A zona sul é aquela que apresenta o maior grau de eficácia das redes, a zona oeste possui uma área com características semelhantes a da zona sul e, portanto com o grau de eficácia parecido na maior parte das redes, menos na rede de esgoto. A zona norte, que é ocupada por famílias de classe média, possui um grau abaixo na eficácia das redes. Outra parte da zona oeste é semelhante à zona norte, mas o grau de eficácia pode ser considerado até mais baixo do que esta, tendo em vista a sua origem que está ligada a um ambiente rural.

O grau de eficácia percebida quanto à rede de energia elétrica no Rio de Janeiro, em termos de abrangência, não difere muito para cada zona da cidade, até mesmo em áreas de assentamentos precários há rede de energia elétrica, mesmo que seja informal. Uma questão que a partir do ano de 2011 começou a aparecer na mídia são as explosões ocorridas em vários bueiros da cidade ligados às redes de energia elétrica e gás natural. Essas explosões ocorreram em sua maior parte na zona sul e no centro. Como ambas as áreas são consideradas estratégicas para a cidade esse assunto foi enfaticamente abordado pela mídia, exercendo uma pressão sobre o poder público e as concessionárias para que providências fossem tomadas.

Essa pressão começou a dar resultados tendo em visa a vistoria iniciada em 12 de agosto de 2011, como podemos verificar de acordo com a notícia transcrita abaixo:

“(...) O monitoramento independente contratado pela prefeitura vistoriou 327 bueiros no Centro, Copacabana, Ipanema, Flamengo, Laranjeiras, Tijuca e Méier. 
Desde o início da vistoria, foram encontrados 150 bueiros com alto risco de explosão. Nesses casos, a Secretaria de Conservação informa o Centro de Operações Rio e as concessionárias Light e CEG, responsáveis pelo abastecimento de energia e de gás. Os bueiros foram isolados e sinalizados para obras de reparo.
Desde o inicio da operação, em 12 de agosto, foram vistoriados 10.670 bueiros na cidade. (...)” 
(Do R7 | 07/10/2011 às 17h23).

Tendo em vista o problema de segurança apresentado por essas redes, não podemos considerar a eficácia como sendo alta nessas áreas, mas sim médio.

Quanto a eficácia do sistema de abastecimento de água podemos considerar também como média, haja vista as interrupções regulares que o sistema sofre ao longo do ano na cidade. Sabe-se que há um grande desperdício de água ao longo da rede tendo em vista o furto de água e a falta de manutenção que faz com que cerca de 54% da água que é tratada seja jogada fora, segundo relatório do Ministério das Cidades. Além disso, podemos considerar nosso sistema é muito vulnerável, pois cerca de 80% da Região Metropolitana do Rio de Janeiro é abastecida por uma única Estação de Tratamento de Água (ETA Guandu), sendo esta dependente de uma transposição de águas de uma bacia hidrográfica para outra, o que aumenta ainda mais o grau de vulnerabilidade do sistema.

Quanto à rede de coleta de esgoto podemos dizer que o grau de eficácia desta é baixo. Com os investimentos na cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista as Olimpíadas de 2016, a rede de coleta de esgoto tem aumentado em ritmo lento, mas positivo. A meta é ampliar de 30% para 60% a coleta e tratamento de esgoto em todo o Estado até 2016, o que envolve a cidade do Rio de Janeiro, segundo a Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro.

Com relação às redes de telefonia, internet e TV a cabo percebemos que a eficácia pode ser considerada alta, pois nesses casos o consumidor pode optar por qual empresa quer que o serviço seja prestado, se uma determinada empresa não oferecer um bom serviço ela será descartada pelo próprio consumidor.

Já com relação à rede viária, que é aquela que permite o tráfego dos meios de transporte, temos no Rio de Janeiro as redes rodoviária, ferroviária, metroviária e hidroviária. As rodovias apresentavam um bom estado de conservação mais predominante na zona sul da cidade. No entanto, desde 2009/2010, o programa da Prefeitura da Cidade chamado “Asfalto Liso” tem melhorado as condições dessa rede em diversas áreas da cidade, não apenas na zona sul. Vale lembrar que existe um pedágio cobrado em uma via dentro da cidade que é o da Linha Amarela. Essa via apresenta boas condições de conservação, mas péssimas condições de tráfego nos horários de pico, tendo em vista que não foi planejada para priorizar o transporte público, mas sim os automóveis particulares. O grau de eficácia dessa rede poderia ser considerado médio.

As ferrovias na cidade que conectam parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro apresentam baixas condições de conservação além de oferecerem um serviço ruim através da concessionária SuperVia. Isto pode ser facilmente observado in loco, principalmente no horário de maior demanda pelo serviço, ou na mídia. O Grau de eficácia poderia ser considerado baixo para esse caso.

Já as metrovias eram consideradas de boa qualidade na cidade até a década passada. No entanto a extensão de uma mesma linha fez com que a qualidade do serviço caísse consideravelmente, pois cada vez mais ocorre um incremento na quantidade de usuários sem que esse sistema suporte adequadamente esse aumento. Além disso, a cobertura da cidade por esse sistema é muito baixa, atendendo apenas parte da zona sul e zona norte, além do centro. O grau de eficácia desse sistema pode ser considerado médio.

A única hidrovia utilizada na cidade é a Baía de Guanabara. Ainda assim é subutilizada, inchando ainda mais as outras redes viárias que não apresentam um alto grau de eficácia. A Baía de Guanabara poderia ser explorada em várias rotas, ligando não apenas a cidade do Rio de Janeiro à cidade de Niterói, assim como interligando a Baixada Fluminense, São Gonçalo, Fundão e outras possibilidades. O grau de eficácia desse sistema pode ser considerado baixo.

Como podemos observar, os graus atribuídos às redes viárias na cidade do Rio de Janeiro não são satisfatórios o que nos leva a refletir como a qualidade de vida da população é afetada pelas ineficiências dessas redes.

As redes de abastecimento de água e coleta de esgoto também não apresentam graus satisfatórios o que reflete também uma realidade que não é apenas da nossa cidade, mas do Brasil. Como podemos perceber, os maiores problemas no nosso país, com relação às redes de infraestrutura urbana, são encontrados nas questões de transporte e saneamento.

Referências:
- <http://www.rj.gov.br/web/sea/exibeConteudo?article-id=373565> Acesso em 08/10/11.
- Falhas no abastecimento provocam desperdício de quase metade da água tratada, Jornal nacional, Edição do dia 16/09/2011 <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/09/falhas-no-abastecimento-provocam-desperdicio-de-quase-metade-da-agua-tratada.html> Acesso em 08/10/11.
- KLEIMAN, Mauro. Redes de Infraestrutura e Estruturação das Cidades. Material didático da disciplina “Cidade como rede de serviços urbanos”. IPPUR/UFRJ. 2004.
- Campo Minado. Bueiros explodem pelas ruas do rio. Do R7 | 29/09/2011 às 16h26 <http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/chega-a-121-o-numero-de-bueiros-com-alto-risco-de-explosao-no-rio-20110929.html> Acesso em 08/10/11.

domingo, 25 de maio de 2014

Lixão x Aterro Sanitário


     É muito comum a mídia confundir lixão com aterro sanitário e aterro controlado. Um lixão é diferente de um aterro sanitário em diversos aspectos. Em um lixão os resíduos são depositados sem qualquer proteção do solo. Nele o chorume percola livremente, podendo atingir o lençol freático e os corpos hídricos nas suas proximidades. Há também a presença de animais como porcos, urubus, etc. Muitas vezes há catadores de materiais recicláveis trabalhando nesses locais em péssimas condições de salubridade.
    Já o aterro sanitário é uma obra de engenharia como alternativa para a disposição final dos resíduos sólidos. Nele tanto a quantidade quanto a qualidade dos resíduos (ou tipo, se é industrial, hospitalar, domiciliar, etc) que serão depositados são monitoradas. Não há a presença de catadores e a de animais é reduzida. Isto porque o solo é protegido com manta impermeável, diariamente o lixo é coberto com solo de baixa permeabilidade, o chorume é coletado e tratado e a liberação de gases, como o metano, é monitorada.
    Um aterro sanitário funciona com diversas "células", cada uma com um tempo de vida útil dependendo do seu tamanho e do volume de lixo descartado em seu interior. Normalmente o licenciamento é feito por células e quando termina o tempo de operação, ela é fechada, muitas vezes gramada e sua área recebe uma outra finalidade. No entanto a liberação de gases precisa ser monitorada ainda por alguns anos, mesmo após o encerramento de sua operação por motivos de segurança, tendo em vista que o gás metano é inflamável.
   O aterro controlado nada mais é que um lixão minimizado. Ele surgiu quando um determinado lixão teve seus impactos sobre o meio ambiente minimizados. Parte do chorume passou a ser coletado e tratado e passou a haver a cobertura dos resíduos dentre outras medidas. Um exemplo disso é o caso do Aterro de Gramacho (RJ) que foi lixão desde a década de 70 e na década de 90 passou a ser um aterro controlado até ser encerrado em 2012. Um lixão jamais será um aterro sanitário, pois o aterro sanitário precisa passar por todo um planejamento e preparação antes de receber os resíduos.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Consumo consciente de alimentos

Esse vídeo nos leva à reflexão sobre o desperdício diário de comida. De uma maneira bem humorada e inteligente, a proposta feita traz resultados interessantes!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Faça as suas sugestões de leis

Você pode ser mais participativo na construção de políticas públicas através de sugestões de leis municipais, por exemplo.
Caso você queria sugerir uma lei para o município do Rio de Janeiro acesse o formulário no link abaixo:
Formulário para sugestão de leis
Se quiser fazer sugestões em outras esferas de poder, procure um canal para estabelecer essa comunicação entre você cidadão e os gestores públicos.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Projeto de Graduação em Engenharia Ambiental (2010)

Projeto de Graduação em Engenharia Ambiental desenvolvido sob orientação da Professora Maria Cláudia, D.Sc. (COPPE/UFRJ).

Abaixo o link do trabalho para consulta:
ANÁLISE DA APLICAÇÃO DE AGREGADO RECICLADO EM COBERTURA DE ATERROS DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS




quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ônibus Elétrico



Hoje foi exibida uma reportagem no Jornal Hoje sobre o primeiro dia de circulação de um ônibus elétrico com passageiros pelas ruas do Rio de Janeiro.
Além de não poluir o ar, também é silencioso. Contribuindo para a redução dos efeitos da poluição sonora nas cidades, cuja uma das consequências é o estresse vivido por todos nós, mas principalmente pelos motoristas de ônibus. Também não há o calor característico emitido pelos motores convencionais.
No entanto, de acordo com essa reportagem, o custo do ônibus é cerca de 3 vezes maior do que do ônibus atualmente usado. Mas devemos lembrar de todos os custos implícitos que a sociedade arca pelo ar poluído e pelo estresse vivido. Há determinadas situações que podemos lembrar daquela frase "há coisas que não tem preço". O benefício tido superaria os custos envolvidos.
As empresas de ônibus poderão escolher se irão adotá-lo ou não.
Será que o poder público não poderia obrigar que eles sejam adotados de forma paulatina? O interesse público deve vir antes do interesse privado. Aí podem entrar subsídios para que o custo adicional não seja repassado para os passageiros.
A sustentabilidade urbana a longo prazo precisa de ações como essa.
Ainda há outro benefício, como a contribuição para o não agravamento da intensificação do efeito estufa.
Mas claro, não vamos acreditar que só essa atitude resolva nossos problemas. Há também o metrô, trens, hidrovias, bicicletas, etc!
Sigo confiante de que os gestores de políticas públicas irão perceber essa oportunidade.
Confira a matéria na íntegra no link abaixo:
Ônibus Elétrico é testado no Rio de Janeiro

terça-feira, 1 de abril de 2014

Deslocamento nas cidades

  


       Nessa figura é visto que para transportar a mesma quantidade de passageiros (190 passageiros), pode-se utilizar 127 veículos de passeios, considerando-se a média de 1,5 passageiros por carro, 2 ônibus convencionais ou apenas 1 ônibus articulado de maior capacidade, como um ônibus muito utilizado em sistemas BRTs (Bus Rapid Transit).



      O uso da bicicleta para deslocamentos nas cidades brasileiras ainda é pouco explorado. A bicicleta ainda é vista como uma forma de lazer ou para praticar atividade física, o que pode ser considerado um paradigma. Entretanto em cidades europeias como, por exemplo, Amsterdã na Holanda, elas também são usadas para ir ao trabalho, ao local de estudo e até mesmo para fazer compras, desde que a distância entre origem e destino assim o permitam. Essa prática contribui para que o trânsito flua melhor além de diminuir a poluição do ar, dentre outros benefícios.

Para que essas vantagens possam também ser vistas no Brasil, é necessária que se tenha uma via adequada para o deslocamento desse veículo – a ciclovia. Essa via precisa seguir normas e padrões que constam no Código de Trânsito Brasileiro - lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997. Infelizmente podemos observar ciclovias na cidade do Rio de Janeiro que não seguem tais normas.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, somente o CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito – pode elaborar a sinalização das vias brasileiras. Apesar disso, na cidade do Rio de Janeiro podemos observar sinalização em ciclovias não compatível com as determinadas pelo CONTRAN. É válido ressaltar que muitas das ciclovias existentes na cidade são anteriores ao CONTRAN. Porém a Resolução nº 180, de 26 de agosto de 2005 que aprova o volume I - sinalização vertical de regulamentação, do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, diz em seu Art. 3º: os órgãos e entidades de trânsito terão até 30 de junho de 2006 para se adequarem ao disposto nesta Resolução.

Outra resolução nº 243, de 22 de junho de 2007, que aprova o volume II – sinalização vertical de advertência, do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, diz em seu Art. 3º: os órgãos e entidades de trânsito terão até 30 de junho de 2008 para se adequarem ao disposto nesta Resolução. Passados quase três anos do prazo para adequação, não pode haver justificativa para a atual existência de sinalização não compatível com as determinadas pelo CONTRAN nas ciclovias brasileiras. Essa padronização é importante, pois o mesmo ciclista poderá circular por diferentes regiões do Brasil, sem que haja confusão no entendimento da sinalização. Isso acarretará em menores probabilidades de acidentes.

A intensificação do uso de ciclovias nas cidades está ligada à melhoria da qualidade do ar no ambiente urbano e consequentemente da qualidade de vida dos cidadãos. É válido lembrar que há de certa forma uma poluição indireta quando se estimula o uso da bicicleta, pois são emitidos gases poluentes em seu processo de fabricação, mas esses também são emitidos pelas fábricas de automóveis e de outros veículos de locomoção. Portanto é necessário hierarquizar o que devemos estimular com relação à mobilidade urbana:

 1)    Andar a pé:
Para curtas distâncias é preferível que o cidadão opte pela caminhada, isso permite não apenas a sua locomoção sem que haja liberação de gases poluentes, mas também é uma prática saudável tanto para o corpo quanto para a mente quando nos permite observar os espaços públicos assim como comércio, arquitetura e beleza da paisagem.
Para que isso se torne uma forma agradável de deslocamento, os espaços urbanos precisam ser projetados de maneira que o pedestre tenha segurança no caminhar, com calçadas bem niveladas, arborização para que a sensação térmica seja melhor, espaços mais amplos direcionados aos pedestres, ausência de carros estacionados nas calçadas, áreas de convivência e encontro. Esses itens não esgotam as possibilidades de se tornar essa forma de deslocamento mais atrativa para os cidadãos.

2)    Usar a bicicleta
Este segundo e importante item pode ser estimulado para curtas e médias distâncias (“intrabairro” e interbairros) que variam de acordo com a percepção de cada indivíduo, levando-se em conta o tempo que cada cidadão está disposto a gastar em seu deslocamento. Isso só será possível com a construção e adequação de ciclovias que atendam as exigências do Código de Trânsito Brasileiro e do CONTRAN.
Dessa forma as cidades poderão oferecer uma alternativa segura e agradável de deslocamento para seus habitantes. Além disso, o uso das ciclovias deixa de lançar diversos gases poluentes na atmosfera se esses cidadãos tivessem optado pelo transporte por automóvel. Dentre esses gases estão: o gás carbônico (CO2), monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos (HC), óxidos de enxofre (SOx), partículas inaláveis (MP10), etc.

3)    Usar o transporte público
Quando o deslocamento a pé ou por bicicleta não for possível por razões como, por exemplo, deficiência física, grandes distâncias e tempo maior do que o disposto pelo cidadão para o deslocamento, dentre outros, o uso do transporte público deve vir como a próxima opção.
Dentre as opções de transporte de massa temos os trens, os bondes, o metrô, as barcas, os ônibus, etc. Cada qual com suas particularidades, deve-se pensar na integração intermodal para que haja uma significativa cobertura da cidade assim como capilaridade. As Regiões Metropolitanas devem também ser consideradas no planejamento dos transportes, pois é muito comum nessas regiões, pessoas que moram em um município e trabalham em outro. Além disso, a integração do transporte público com as ciclovias deve ser levada em consideração na concepção dos projetos referentes a esses transportes. Como, por exemplo, a colocação de bicicletários nas estações de metrô.

4)    Usar o automóvel.
O uso do automóvel não deve ser estimulado como meio de transporte na rotina dos cidadãos. A ida para o trabalho, o estudo e a volta para casa, que são os principais motivos de deslocamento no horário de maior tráfego, deve ser pensada de forma a priorizar o uso das três modalidades anteriormente expostas.
Isso somente será contemplado se forem colocadas as condições favoráveis para que o cidadão que tenha a opção de usar o automóvel, se sinta estimulado a optar por outra modalidade de transporte.
Isso pode ser atingido, dentre outras opções, cobrando-se altos valores para o estacionamento de carros e não cobrando pelo estacionamento das bicicletas, sendo esses seguros e adequados. Deve-se levar em consideração que os automóveis que transportam pessoas com dificuldade de locomoção sejam permitidos de estacionarem pagando-se valores menores.
Segundo FILIZOLA et al, as emissões gasosas causadas por veículos carregam diversas substâncias tóxicas que, em contato com o sistema respiratório, podem produzir vários efeitos negativos sobre a saúde. Para se ter uma ideia da proporção de poluição que esses veículos jogam na atmosfera comparando-se com outras formas de emissão, os veículos automotores são responsáveis pelas emissões de 83,2% de CO; 81,4% de HC; 96,3% de NOx; 38,9% de MP10 e 53% de SOx na Região Metropolitana de São Paulo, concluindo que estes produzem mais poluição atmosférica que qualquer outra atividade humana.

                       
Com o exposto, podemos perceber que existem múltiplas soluções para a melhoria da mobilidade urbana. Esse ganho se dá também na melhoria da qualidade do ar das nossas cidades. Não é apenas fazer novas ciclovias, mas pensar a integração com os diversos meios de transporte. A cidade deve oferecer além de trabalho, educação, acesso à cultura e a saúde, mas também qualidade de vida. Um ar mais limpo contribui para esse fator quando a emissão de gases poluentes por passageiro diminui. A mobilidade urbana entra como um fator fundamental para que isso possa ser alcançado.



Referências Bibliográficas:

·         Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997. Institui o Código de Trânsito Brasileiro.
·         FILIZOLA, Í. M., YAMASHITA, Y., VERAS C. A. G.l. Nível de emissão de gases de veículos automotores leves do ciclo otto: valores referenciais. Disponível em: http://www.cbtu.gov.br/estudos/pesquisa/anpet_xviiiCongrpesqens/rt/RD_arq33.pdf. Acesso em 01 de maio de 2011.
·     MATTOS, T. D. M., Análise de projetos de redução de emissão de gases de efeito estufa no setor de transportes no Brasil – o estudo de caso do BRT no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: UFRJ / Escola Politécnica, 2011.
·         Volume I - Sinalização Vertical de Regulamentação, do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito.
·     Volume II – Sinalização Vertical de Advertência, do Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito.

domingo, 23 de março de 2014

Filmes sobre resíduos: Ilha das Flores, Estamira e Lixo Extraordinário.

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que não sou crítica de cinema. Nesse ponto sou totalmente leiga. O meu ponto de vista restringe-se ao de uma telespectadora que se interessa pelo tema de meio ambiente. Pois bem, Ilha das Flores é um filme clássico, um curta de 10 min que apresenta uma realidade local, mas, pode ter certeza, essa realidade tem uma dimensão muito maior do que você imagina.


Estamira é um documentário que apresenta uma catadora de materiais do antigo Aterro Controlado de Gramacho (RJ). Aqui está o trailer: 


Lixo Extraordinário é um longa sobre a produção artística de Vik Muniz que através de materiais descartados pela sociedade faz um belo trabalho. Aqui o trailer:





Consumo Consciente


Você já ouviu falar em consumo consciente? Bem, não adianta esperarmos que a televisão vá nos trazer esse conhecimento. Pois ela é sustentada exatamente pelo nosso consumo inconsciente. Já me explico.
Todos nós consumimos. Disso não há como escapar. Precisamos de no mínimo alimentos e roupas para vivermos.
Mas esse consumo pode ser dado de duas maneiras: de forma consciente ou inconsciente.
O consumo consciente pressupõe uma breve reflexão antes de ser realizado. Na verdade é muito simples se tornar um consumidor consciente, não é necessário estudar o assunto nem ficar muito tempo pensando sobre isso para se tornar um adepto.
Antes de ir às compras, faça um planejamento. Faça uma lista do que está precisando. Isso ajuda você a não se perder, acabar comprando o que não precisava e esquecer de comprar o que era importante. 
Procure se perguntar: Eu preciso disso? É útil? É belo? Eu realmente posso pagar por isso? De onde ele veio? Para onde ele vai? 
Muitas vezes consumimos produtos que em pouco tempo são descartados e logo se tornam lixo.
Outras vezes buscamos pelo menor preço sem nos questionarmos sobre o que aquele preço reflete. Pode ser que seja mais barato porque a madeira usada é ilegal...
Lembre-se de que tudo é produzido através de recursos naturais, muitas vezes não renováveis. Então ajude a poupar nosso planeta.
Procure também valorizar a economia local. Produtos produzidos e consumidos na mesma região demandam menos necessidade de transporte e por consequência menos poluição.
Não consuma produtos ilegais/piratas. Eles ainda sustentam uma rede criminosa.
Comece a recusar as sacolinhas. Leve sacolas de pano e uma bolsa térmica quando for ao mercado. São mais resistentes, cabem mais coisas e ainda ajudará a conservar a temperatura dos alimentos.
Enfim, uma breve reflexão poderá tornar-te um consumidor mais consciente e um colaborador para um mundo mais justo, mais limpo, mais sustentável.
Faça a sua parte!

sexta-feira, 21 de março de 2014

A história das coisas

História das Coisas é um documentário de 20 minutos, direto, baseado nos subterrâneos de nossos padrões de consumo.
Revela as conexões entre diversos problemas ambientais e sociais e é um alerta pela urgência em criarmos um mundo mais sustentável e justo.
História das Coisas nos ensina, nos faz rir e pode mudar para sempre a forma como vemos os produtos que consumimos em nossas vidas.
Visite: storyofstuff.org



quarta-feira, 19 de março de 2014

Rios Urbanos



Neste primeiro texto do blog, gostaria de trazer para discussão as condições dos corpos hídricos que percorrem os municípios de nosso país. Esses sofreram grandes transformações nos últimos anos devido à urbanização sem que fossem considerados como elementos fundamentais para a qualidade de vida da população. Essas transformações tiveram um viés de degradação ambiental acentuado. Com facilidade pode-se percorrer metrópoles brasileiras como São Paulo ou Rio de Janeiro e perceber o estado dos rios e lagoas que ali se encontram, com grande presença de lixo e esgoto sanitário. Muitos trechos não são sequer vistos, pois estão sob as vias públicas.

Além dos rios urbanos serem locais frequentemente poluídos, sejam pelos esgotos, pelos resíduos sólidos ou até mesmo pelas águas pluviais que escoam pela superfície da cidade, são também desconsiderados os efeitos da impermeabilização do solo de suas margens e da retirada da mata ciliar. Além disso, a falta de saneamento básico, que faz parte da rotina dos municípios brasileiros, transforma os rios em galerias de esgoto.

Mesmo quando há saneamento, constata-se a presença de ligações clandestinas de esgoto nas galerias de águas pluviais assim como diretamente nos rios. Essa é uma consequência da mal prática do chamado Sistema Separador Absoluto, que, teoricamente, separa por completo a coleta e a destinação de águas pluviais e de esgoto sanitário.

Observa-se que também são desconsiderados os efeitos dos rios e sua vegetação na sustentabilidade do ambiente urbano e na qualidade de vida dos habitantes da cidade. Os rios são promotores da qualidade de vida urbana. Dependendo do seu estado eles contribuem para a melhora ou piora do bem estar social, assim como da saúde pública. Eles podem ser fontes de contemplação e lazer ou mal cheiro, enchentes e doenças.

Os cursos d'água em áreas urbanas devem ser preservados, pois são fundamentais na melhoria da qualidade de vida da população. Em áreas de urbanização consolidada, ficam-se limitadas as intervenções nesses corpos hídricos. No entanto, em áreas de baixa urbanização, deve-se considerar os corpos hídricos como elementos fundamentais dentro do planejamento urbano, pois desempenha diversas funções importantes, como por exemplo a macrodrenagem da região, regulação do microclima, cria espaços de contemplação e lazer, etc.

Entre Rios

Um excelente documentário sobre a urbanização de São Paulo, com um enfoque geográfico-histórico, permeando também questões sobre meio ambiente e política. Mostra como a lógica da urbanização desconsidera os rios como elemento importante da cidade.