A infraestrutura contemporânea das cidades, em todo o mundo, abrange basicamente as redes de abastecimento de água, coleta de esgoto, energia elétrica, fornecimento de gás, telefonia, rede viária, televisão a cabo e internet. Dentre essas redes às quais viabiliza a vida urbana, a que podemos considerar como a base de todas as outras é a rede de energia elétrica. Através dela é que todas as outras se tornam possíveis. Isto porque para que uma estação de tratamento de água funcione é preciso energia; para que a rede de coleta de esgoto possa cumprir seu papel é necessário se tenha elevatórias em determinados pontos ao longo da rede o que necessita de energia; etc.
Essa rede também costuma ser a primeira a chegar a um determinado local onde começa um aglomerado urbano espontâneo, ou seja, sem planejamento. Em locais planejados, presume-se que as redes cheguem juntas e, de preferência, antes dos habitantes desse local.
Dentre as redes de infraestrutura urbana, a que pode ser considerada a mais vital é a de abastecimento de água. Isto porque, diferentemente do meio rural, na zona urbana é improvável que haja possibilidade de captação de água superficial, ou até mesmo de subterrânea, com a qualidade requerida para o consumo e higiene humana. Geralmente a água dos mananciais urbanos é contaminada pelo esgoto da própria população, pois essa rede muitas vezes é a última a chegar.
Mesmo em locais onde haja rede eficiente de coleta de esgoto e que o mesmo é conduzido para tratamento adequado, as águas dos rios urbanos muitas vezes podem estar contaminadas pela água da chuva que precipitou na bacia hidrográfica urbanizada e carreou contaminantes para dentro do rio.
Conforme a tecnologia vai avançando novas redes de infraestrutura começam a surgir, como por exemplo, a rede de telefonia que permite a comunicação praticamente instantânea não só dos habitantes que residem em uma mesma cidade como entre os habitantes de qualquer cidade do mundo.
A televisão a cabo e a internet podem ser consideradas as mais recentes das redes de infraestrutura urbana. Essas redes, no Brasil, começaram a chegar na década de 1990 e hoje podemos considerar que abrange significativamente as cidades brasileiras. Conforme essas redes chegam aos locais a vida sem elas parece inviável, pois passamos a depender delas para cumprir com os nossos compromissos, principalmente a internet.
A rede de internet permite que compras sejam feitas, informações cheguem rapidamente ao destino, etc. Ela está de tal forma incorporada no dia-a-dia das pessoas que muitas transações só possam ser efetuadas através dessa rede, como por exemplo, a inscrição em muitos concursos públicos.
O grau de eficácia de cada rede pode ser analisada através de determinadas propriedades, são elas:
- Conexidade: coloca em relação os diferentes elementos do território;
- Ubiquidade: relaciona todos os elementos independentemente da organização política territorial;
- Instantaneidade: a rede define simultaneamente tempo e espaço, ela deve ser imediata, apresentando o fluxo material permanente;
- Homogeneidade: essa propriedade garante que tudo aquilo que está no interior da rede não seja interrompido em seu fluxo;
- Conectividade: alternativa para caso haja interrupção na rede;
- Nodalidade: articulação das redes, nós;
- Adaptabilidade: as redes precisam atender os milhões de indivíduos, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Portanto a rede precisa regular-se no tempo a diferentes escalas de demanda e no espaço por extensão e/ou diversificação.
Aqui o grau de eficácia será apontado como sendo baixo, médio ou alto para cada rede analisada, levando-se em conta as propriedades citadas a cima de forma conjunta.
O grau de eficácia parece estar vinculado ao agente que presta o serviço. Quando é o serviço público que opera diretamente a rede de infraestrutura, podemos perceber a baixa eficácia em relação às redes que a iniciativa privada opera. Isto porque o serviço público atua melhor quando ele é regulador/fiscalizador de uma concessão do que quando ele opera e fiscaliza a si mesmo.
O Agente Público pode ser o operador direto, pode privatizar o serviço ou pode fazer uma concessão para a operação de uma determinada rede. Em uma primeira análise, parece que os sistemas de concessão têm resultados melhores do que aqueles em que há a privatização. Pois os serviços das redes de infraestrutura urbana são caracterizados por serem um tipo de monopólio natural, tendo em vista que seria inviável se nós pudéssemos escolher de qual empresa, por exemplo, gostaríamos de ser abastecidos por água.
Na cidade do Rio de Janeiro, nas áreas urbanas formais, há diferença no grau de eficácia dessas redes de acordo com o poder aquisitivo dos moradores de cada região. Podemos perceber a diferença de eficácia que há entre as zonas sul, norte e oeste da cidade. A zona sul é aquela que apresenta o maior grau de eficácia das redes, a zona oeste possui uma área com características semelhantes a da zona sul e, portanto com o grau de eficácia parecido na maior parte das redes, menos na rede de esgoto. A zona norte, que é ocupada por famílias de classe média, possui um grau abaixo na eficácia das redes. Outra parte da zona oeste é semelhante à zona norte, mas o grau de eficácia pode ser considerado até mais baixo do que esta, tendo em vista a sua origem que está ligada a um ambiente rural.
O grau de eficácia percebida quanto à rede de energia elétrica no Rio de Janeiro, em termos de abrangência, não difere muito para cada zona da cidade, até mesmo em áreas de assentamentos precários há rede de energia elétrica, mesmo que seja informal. Uma questão que a partir do ano de 2011 começou a aparecer na mídia são as explosões ocorridas em vários bueiros da cidade ligados às redes de energia elétrica e gás natural. Essas explosões ocorreram em sua maior parte na zona sul e no centro. Como ambas as áreas são consideradas estratégicas para a cidade esse assunto foi enfaticamente abordado pela mídia, exercendo uma pressão sobre o poder público e as concessionárias para que providências fossem tomadas.
Essa pressão começou a dar resultados tendo em visa a vistoria iniciada em 12 de agosto de 2011, como podemos verificar de acordo com a notícia transcrita abaixo:
“(...) O monitoramento independente contratado pela prefeitura vistoriou 327 bueiros no Centro, Copacabana, Ipanema, Flamengo, Laranjeiras, Tijuca e Méier.
Desde o início da vistoria, foram encontrados 150 bueiros com alto risco de explosão. Nesses casos, a Secretaria de Conservação informa o Centro de Operações Rio e as concessionárias Light e CEG, responsáveis pelo abastecimento de energia e de gás. Os bueiros foram isolados e sinalizados para obras de reparo.
Desde o inicio da operação, em 12 de agosto, foram vistoriados 10.670 bueiros na cidade. (...)”
(Do R7 | 07/10/2011 às 17h23).
Tendo em vista o problema de segurança apresentado por essas redes, não podemos considerar a eficácia como sendo alta nessas áreas, mas sim médio.
Quanto a eficácia do sistema de abastecimento de água podemos considerar também como média, haja vista as interrupções regulares que o sistema sofre ao longo do ano na cidade. Sabe-se que há um grande desperdício de água ao longo da rede tendo em vista o furto de água e a falta de manutenção que faz com que cerca de 54% da água que é tratada seja jogada fora, segundo relatório do Ministério das Cidades. Além disso, podemos considerar nosso sistema é muito vulnerável, pois cerca de 80% da Região Metropolitana do Rio de Janeiro é abastecida por uma única Estação de Tratamento de Água (ETA Guandu), sendo esta dependente de uma transposição de águas de uma bacia hidrográfica para outra, o que aumenta ainda mais o grau de vulnerabilidade do sistema.
Quanto à rede de coleta de esgoto podemos dizer que o grau de eficácia desta é baixo. Com os investimentos na cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista as Olimpíadas de 2016, a rede de coleta de esgoto tem aumentado em ritmo lento, mas positivo. A meta é ampliar de 30% para 60% a coleta e tratamento de esgoto em todo o Estado até 2016, o que envolve a cidade do Rio de Janeiro, segundo a Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro.
Com relação às redes de telefonia, internet e TV a cabo percebemos que a eficácia pode ser considerada alta, pois nesses casos o consumidor pode optar por qual empresa quer que o serviço seja prestado, se uma determinada empresa não oferecer um bom serviço ela será descartada pelo próprio consumidor.
Já com relação à rede viária, que é aquela que permite o tráfego dos meios de transporte, temos no Rio de Janeiro as redes rodoviária, ferroviária, metroviária e hidroviária. As rodovias apresentavam um bom estado de conservação mais predominante na zona sul da cidade. No entanto, desde 2009/2010, o programa da Prefeitura da Cidade chamado “Asfalto Liso” tem melhorado as condições dessa rede em diversas áreas da cidade, não apenas na zona sul. Vale lembrar que existe um pedágio cobrado em uma via dentro da cidade que é o da Linha Amarela. Essa via apresenta boas condições de conservação, mas péssimas condições de tráfego nos horários de pico, tendo em vista que não foi planejada para priorizar o transporte público, mas sim os automóveis particulares. O grau de eficácia dessa rede poderia ser considerado médio.
As ferrovias na cidade que conectam parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro apresentam baixas condições de conservação além de oferecerem um serviço ruim através da concessionária SuperVia. Isto pode ser facilmente observado in loco, principalmente no horário de maior demanda pelo serviço, ou na mídia. O Grau de eficácia poderia ser considerado baixo para esse caso.
Já as metrovias eram consideradas de boa qualidade na cidade até a década passada. No entanto a extensão de uma mesma linha fez com que a qualidade do serviço caísse consideravelmente, pois cada vez mais ocorre um incremento na quantidade de usuários sem que esse sistema suporte adequadamente esse aumento. Além disso, a cobertura da cidade por esse sistema é muito baixa, atendendo apenas parte da zona sul e zona norte, além do centro. O grau de eficácia desse sistema pode ser considerado médio.
A única hidrovia utilizada na cidade é a Baía de Guanabara. Ainda assim é subutilizada, inchando ainda mais as outras redes viárias que não apresentam um alto grau de eficácia. A Baía de Guanabara poderia ser explorada em várias rotas, ligando não apenas a cidade do Rio de Janeiro à cidade de Niterói, assim como interligando a Baixada Fluminense, São Gonçalo, Fundão e outras possibilidades. O grau de eficácia desse sistema pode ser considerado baixo.
Como podemos observar, os graus atribuídos às redes viárias na cidade do Rio de Janeiro não são satisfatórios o que nos leva a refletir como a qualidade de vida da população é afetada pelas ineficiências dessas redes.
As redes de abastecimento de água e coleta de esgoto também não apresentam graus satisfatórios o que reflete também uma realidade que não é apenas da nossa cidade, mas do Brasil. Como podemos perceber, os maiores problemas no nosso país, com relação às redes de infraestrutura urbana, são encontrados nas questões de transporte e saneamento.
Referências:
- <http://www.rj.gov.br/web/sea/exibeConteudo?article-id=373565> Acesso em 08/10/11.
- Falhas no abastecimento provocam desperdício de quase metade da água tratada, Jornal nacional, Edição do dia 16/09/2011 <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/09/falhas-no-abastecimento-provocam-desperdicio-de-quase-metade-da-agua-tratada.html> Acesso em 08/10/11.
- KLEIMAN, Mauro. Redes de Infraestrutura e Estruturação das Cidades. Material didático da disciplina “Cidade como rede de serviços urbanos”. IPPUR/UFRJ. 2004.
- Campo Minado. Bueiros explodem pelas ruas do rio. Do R7 | 29/09/2011 às 16h26 <http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/chega-a-121-o-numero-de-bueiros-com-alto-risco-de-explosao-no-rio-20110929.html> Acesso em 08/10/11.

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